Toda vez que uma mulher escreve

 Toda vez que uma mulher escreve,

há um canto que se solta até o céu da boca da página infinita

Um pássaro bate à vidraça

Uma mão úmida planta sementes de sonhos

Um farol esquenta uma ilha esquecida


Toda vez que a mulher escreve,

há um canto que sobe até as copas das árvores murmurantes de saberes ancestrais

Uma dançarina de tango improvisa

Uma mãe mata a sede e toma a espada serpenteada - digladia com o patriarcado,

Vence o monopólio masculino


Toda vez que uma Mulher é por outra Mulher lida,

Suas vozes rodopiam pelo universo lunar

Há a entrega de chaves para portais solares

E juntas adentram Seu reino

Onde são livres


Palavras-pássaras

Voz e vez

No tempo e espaço

Infinitas







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